sexta-feira, 27 de abril de 2012

De cara limpa


   Uma vez fui com Luíz Horácio, pai da minha filha Luísa, a uma festa de fim de ano na casa do jornalista e escritor Fausto Wolff.
   Já teria sido um dia memorável pelo nada simples fato de estar no mesmo evento que Aldir Blanc, por quem nutro grande admiração. Mas lembro de um diálogo que tive com Fausto, e que até hoje costuma me vir à mente. Ele perguntou:
   - Quer cerveja?
   - Não, obrigada.
   - Vodca?
   -Não.
   -Vinho, whisky, champagne? O que você bebe?
   - Obrigada, eu não bebo...
   Ele olhou para mim muito sério, para depois questionar, com sua voz inconfundível:
   - É cocaína que você usa?
   - Não. Não uso cocaína.
   - Como você consegue viver de cara limpa?
   Tive vontade de responder que minha cara não era tão limpa, porque de vez em quando eu mandava um tarja preta sublingual (fraquinho, é verdade...) mas, de qualquer forma, refleti sobre o que ele dissera. Vivemos em uma época em que não podemos estar tristes, ansiosos, angustiados, assustados, que vem logo um diagnóstico de saúde mental para nos carimbar. Não podemos estar sem vontade de fazer sexo, com muita vontade de comer chocolate e não sair da cama, nem fazer o sinal da cruz ao entrar num avião.
   Temos que ser lindos, jovens, sensuais e radiantes. Destemidos, descolados, ricos e bronzeados (não exageradamente, por causa do câncer de pele). Não comer carboidratos, nem gordura, malhar, ser bons profissionais (famosos de preferência), filhos exemplares e excelentes pais. O problema é que não dá para ser isso tudo e ser humano ao mesmo tempo. Aí, só com cerveja, vinho e vodca. Ou um  tarjinha preta, usado com moderação...

domingo, 18 de março de 2012

Psicologia e Cinema

   Toda arte é, por excelência, uma forma de expressar afetos. Somos tomados por aspectos subjetivos ao produzir uma obra de arte e também ao contemplá-la.
   O cinema, como uma forma de arte bastante complexa, presta-se a esse fim, o de nos provocar em nossos aspectos mais íntimos.
   Filmes como os que comentei aqui: "Precisamos falar sobre o Kevin", "Minhas tardes com Margheritte", "Cisne Negro" e outros, infinitas possibilidades sobre as quais não comentei ("Melancolia", "A pele em que habito" , e tantos outros), são cheios de aspectos subjetivos, afetivos, e nos fazem rever e pensar sobre sentimentos que compõem nossa vida, nossas relações.
  

segunda-feira, 12 de março de 2012

Psicologia e Cinema

Por Vanessa Coutinho

   O filme "Precisamos falar sobre o Kevin", de Lynne Ramsay, apresenta diversas situações impactantes que podem provocar discussões muito interessantes a respeito da tão falada relação mãe-filho.
   Eva (Tilda Swinton) é uma mulher comum, nem boa nem má, nem santa nem demoníaca. É uma mulher que, no início do filme está completamente sozinha, sendo hostilizada pela comunidade em que vive.
   Aos poucos, através de suas lembranças, descobrimos que ela teve um filho, Kevin (Ezra Miller), um filho que não foi desejado, como tantos outros filhos não desejados que milhares de mulheres têm todos os dias. Sua relação com esse filho é difícil desde o início, apesar de, volto a dizer, ela não ser uma mãe má, e, por vezes, mesmo que de forma desajeitada, tentar conquistar um pouco o coração dessa criança tão peculiar. Há uma cena interessante em que Eva mostra felicidade por conseguir a atenção do menino ao contar para ele a história de Robin Hood (Um ponto fundamental na trama que se sucederá).
   Kevin, aos dezesseis anos, torna-se o autor de uma chacina em sua escola, e Eva parece receber sobre os ombros toda a culpa. Porém, ao receber a notícia da chacina, ela corre até a escola desesperada por pensar que seu filho pudesse estar entre as vítimas.
   Enfim, este é um filme que vale a pena ser visto, por trazer uma discussão a respeito da tão delicada relação mãe e filho. E por mostrar que uma mãe que não é "perfeita, santificada e beatificada", nem por isso é uma pessoa desprovida de humanidade.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Convite

Amigos

Convido vocês a conhecerem meu novo blog: "Cantos de Desencontro". Lá, eu publico meus contos, que há alguns anos escrevo. Espero que gostem, e, se gostarem, divulguem!
http://www.cantosdedesencontro.blogspot.com/

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Psicologia e Cinema

"Minhas tardes com Margueritte" é um filme bem interessante. Este drama francês de 2010, dirigido por Jean Becker e estrelado por Gérard Depardieu tem inúmeras possibilidades de análise, inúmeros caminhos que podemos trilhar e todos justificam vê-lo. O que mais me atraiu foi a relação entre Germain (Depardieu) e Margueritte (Gisèlle Casadesus) como um atalho para que aquele pudesse ressignificar sua difícil relação com a mãe.
Germain foi fruto de um encontro furtivo entre sua mãe e um jovem, durante uma festa, uma espécie de quermesse. Durante toda a infância sofreu com os comentários e atitudes carregados de desamor vindos dessa mãe. Para piorar sua situação emocional, torna-se desafeto do professor na escola primária e aí... mais humilhações e desrespeito. Germain cresce como um típico homem bom e ingênuo, ainda encontrando "amigos" que riem de sua falta de cultura e educação. Mas tem uma namorada que o ama, o que, de certa forma, o ajuda a sentir-se melhor.
Sua mãe, agora idosa, continua a tratá-lo com o mesmo desamor, o mesmo desrespeito, e Germain vai morar em um trailler no quintal.
Uma tarde, por acaso, conhece Margueritte, uma senhora de mais de noventa anos, educada, culta, amante de Literatura, com quem passa a manter conversas todas as tardes, enquanto observa os pombos na praça. Durante essas conversas, Margueritte vai trazendo Germain para o universo dos livros e da Filosofia, sem se preocupar com seu jeito e eventuais comentários indelicados que ele possa fazer sem perceber.
Com a relação com Margueritte, Germain consegue se fortalecer o suficiente para rever a história com a mãe, inclusive podendo lamentar sua perda e descobrir que ela havia, afinal, lhe deixado uma herança material, o que, certamente, sem esse novo vínculo afetivo com uma figura materna positiva, não seria possível sequer compreender.



segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Robert A. Johnson

"Assim como o fogo, se dominadas, as virtudes do sexo oposto que temos dentro de nós transformam-se num maravilhoso servo; não dominadas, são um terrível senhor."



sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Aos amigos...

... e seguidores do Psicologia e Arte, Um Feliz Natal e um Ano Novo de muitas realizações!