domingo, 24 de abril de 2011

Psicologia e Música

Se Puder Sem Medo

Composição: Oswaldo Montenegro

Deixa em cima desta mesa a foto que eu gostava
Pr'eu pensar que o teu sorriso envelheceu comigo
Deixa eu ter a tua mão mais uma vez na minha
Pra que eu fotografe assim meu verdadeiro abrigo

Deixa a luz do quarto acesa a porta entreaberta
O lençol amarrotado mesmo que vazio
Deixa a toalha na mesa e a comida pronta
Só na minha voz não mexa eu mesmo silencio
Deixa o coração falar o que eu calei um dia

Deixa a casa sem barulho achando que ainda é cedo
Deixa o nosso amor morrer sem graça e sem poesia
Deixa tudo como está e se puder, sem medo
Deixa tudo que lembrar eu finjo que esqueço
Deixa e quando não voltar eu finjo que não importa
Deixa eu ver se me recordo uma frase de efeito
Pra dizer te vendo ir fechando atrás da porta
Deixa o que não for urgente que eu ainda preciso
Deixa o meu olhar doente pousado na mesa
Deixa ali teu endereço qualquer coisa aviso
Deixa o que fingiu levar mas deixou de surpresa
Deixa eu chorar como nunca fui capaz contigo

Deixa eu enfrentar a insônia como gente grande
Deixa ao menos uma vez eu fingir que consigo
Se o adeus demora a dor no coração se expande
Deixa o disco na vitrola pr'eu pensar que é festa
Deixa a gaveta trancada pr'eu não ver tua ausência
Deixa a minha insanidade é tudo que me resta
Deixa eu por à prova toda minha resistência
Deixa eu confessar meu medo do claro e do escuro
Deixa eu contar que era farsa minha voz tranqüila
Deixa pendurada a calça de brim desbotado

Que como esse nosso amor ao menor vento oscila
Deixa eu sonhar que você não tem nenhuma pressa

Deixa um último recado na casa vizinha
Deixa de sofisma e vamos ao que interessa
Deixa a dor que eu lhe causei agora é toda minha
Deixa tudo que eu não disse mas você sabia
Deixa o que você calou e eu tanto precisava
Deixa o que era inexistente e eu pensei que havia
Deixa tudo o que eu pedia mas pensei que dava

segunda-feira, 14 de março de 2011

GENTE QUE TEM O QUE DIZER

"Cultura é tudo aquilo de que a gente se lembra após ter esquecido o que leu. Revela-se no modo de falar, de sentar-se, de comer, de ler um texto, de olhar o mundo. É uma atitude que se aperfeiçoa no contato com a arte. Cultura não é aquilo que entra pelos olhos, é o que modifica seu olhar."
José Paulo Paes

PRECONCEITO

Ontem, no programa " Esquenta", comandado por Regina Casé, durante uma entrevista com Marina Silva, a apresentadora resolveu chamar o ator Douglas Silva, da dupla que interpretou Acerola e Laranjinha em "Cidade dos Homens". Então, Regina pediu que ele revelasse ao público qual o som que ele mais vezes ouviu na vida. Sua resposta, um tapa na cara da sociedade hipócrita em que estamos inseridos: quando ia e voltava da escola, e precisava atravessar a rua entre os carros, ia ouvindo, tal uma locomotiva, as portas se travando "tlec-tlec-tlec"...
No momento em que um dos filmes mais vistos do cinema é "Bruna Surfistinha", baseado no livro em que uma ex-garota de programa conta sua história (e é interpretada por uma global, atualmente na novela das nove da emissora), relembro um antigo comercial da TV Brasil, que perguntava: "onde você guarda o seu preconceito?"
Hein?

terça-feira, 8 de março de 2011

PSICOLOGIA E CINEMA

No superpremiado longa de animação "A viagem de Chihiro" (Hayao Miyazaki - 2003), a feiticeira Io Baba domina os seres "roubando" seus nomes, isto é, rebatizando-os e fazendo-os esquecer seus nomes verdadeiros. Com isso, esquecem seu passado, seus desejos, seus anseios, suas determinações... Fiquei refletindo a este respeito. Quantos de nós "esquecemos nossos nomes", isto é, depois de um tempo, dominados pelo dia-a-dia alienante, já não sabemos mais quem somos, ou melhor, quem um dia fomos, e deveríamos voltar a ser. Presos sob o peso de personas, corremos o risco de esquecer nossos objetivos, talentos e sonhos. É preciso fazer como a pequena Chihiro, que, auxiliada por seu amigo Haku, nunca esqueceu seu verdadeiro nome...

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

EU LI...

Na revista Crescer de dezembro de 2010, na coluna do Marcelo Tas, um comentário sobre os livros da série "Diário de um banana":
 "Todos nós, adultos e crianças, gastamos muito tempo da vida tentando esconder as coisas feias que temos dentro de nós. Quando assumimos a figura do "banana", em vez de empurrá-las para debaixo do tapete a trazemos para o fogo e a luz implacáveis do humor. Libere o "banana"dentro de você. Libere o seu filho da infância onde você o congelou. Viva os "bananas"!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

GENTE QUE TEM O QUE DIZER

O MUNDO

eDUARDO gALEANO

  
   Um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus.

   Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas.

   - O mundo é isso – revelou – um montão de gente, um mar de fogueirinhas.

   Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

ESPAÇO DO POETA




"Nesta vida pode-se aprender três coisas de uma criança: estar sempre alegre, nunca ficar inativo e chorar com força por tudo o que se quer".
Paulo Leminski