sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

FILHAS

                                                             


Sou alguém que espera poder olhar nos olhos de minhas filhas, quando forem adultas, e ver o brilho que vejo hoje. Poder olhar seus sorrisos quando forem mulheres e ouvir o som que suas risadas têm hoje. tocar minhas filhas, quando tiverem elas mesmas seus próprios filhos com o mesmo afeto com que toco hoje, sendo capaz de sentir o cheiro de suas peles e de seus cabelos. Ao mesmo tempo quero a sabedoria de aceitar que não são minhas, não estão no mundo para "corresponder às minhas expectativas", são companheiras de jornada que tenho a benção de acompanhar, gestar, amamentar, cuidar... Quero poder saber que, mesmo que possa, até o fim de meus dias, reconhecer em seus olhos e em seus sorrisos as crianças que carreguei no colo, um dia serão mulheres, e serão as mulheres que puderem ser, que desejarem ser, e eu as amarei ainda, como hoje, com toda a possibilidade de amor que sou capaz, mesmo que já não possa simplesmente segurá-las no colo para fazê-las ir comigo onde creio que precisamos ir.
Quero poder um dia, quando for eu a mais frágil, pois esse dia há de chegar..., segurar em suas mãos e lembrar das mãos que eu segurava, à noite, para "espantar os sonhos assustadores", ao mesmo tempo em que possa ser capaz de vê-las se tornando mulheres, mães, profissionais, trilhando seus próprios caminhos, que talvez não sejam os caminhos que eu tracei para elas. Quero a benção infinita de poder amar minhas filhas para além da infância, para além de sua fragilidade de crianças, quero poder amá-las adolescentes, adultas, envelhecendo, acertando e, principalmente, fazendo coisas que eu considere erros. Quero poder amá-las como são, Luísa e Sofia, duas escolhas, duas forças, dois faróis. Quero a suprema felicidade de poder amar incondicionalmente, talvez o amor mais difícil. E saber que as mulheres que se tornarem um dia serão, em grande parte, um reflexo da mãe que pude ser hoje. Que Deus possa abençoar essa prece, esse pedido e esse desejo, e possa me ajudar a torná-lo real.

FELIZ 2011!

Que neste novo ano tenhamos coragem para lutar por nossos sonhos!
Tenhamos coragem de exigir respeito!
Tenhamos coragem de amar!
Feliz Ano Novo!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

ESPAÇO DO POETA

"Tristes são as coisas encaradas sem ênfase" - Carlos Drumond de Andrade

                                             

domingo, 26 de dezembro de 2010

ARQUÉTIPO 


Não é fácil a compreensão do conceito de “arquétipo”. Muitos acreditam que o termo se refira a imagens ou idéias inatas, o que não corresponde à realidade do que Jung pretendeu postular.

“Incansavelmente ele repete que arquétipos são possibilidades herdadas para representar imagens similares, são formas instintivas de imaginar. São matrizes arcaicas onde configurações análogas ou semelhantes tomam forma.” (SILVEIRA, 1974, p. 77)
      
          Os arquétipos se originariam pelo depósito de sucessivas camadas de impressões produzidas por vivências fundamentais, comuns a todos os sujeitos, e que se repetem ao longo da história da Humanidade.

“Seriam disposições inerentes à estrutura do sistema nervoso que conduziriam à produção de representações sempre análogas ou similares. Do mesmo modo que existem pulsões herdadas a agir de modo sempre idêntico (instintos), existiriam tendências herdadas a construir representações análogas ou semelhantes.” (SILVEIRA, 1974, p.77)

          O arquétipo concentra energia psíquica. Quando esta energia toma forma, surge a “imagem arquetípica”. É importante ressaltar que “imagem arquetípica” não é sinônimo de arquétipo, uma vez que este não possui forma definida.
          A noção de arquétipo possibilita entender o surgimento de temas semelhantes, ou mesmo idênticos, em produções de povos distantes, ou até em sonhos e delírios.

PSICOLOGIA E CINEMA

"O Labirinto do fauno". O filme fala da menina Ofélia, de treze anos, dividida entre dois mundo, o real e o imaginário, ambos tremendamente assustadores . No final, é preciso encontrar uma saída simbólica para que o horror transcenda a realidade e, ao menos, sua vivência faça algum sentido.

                                                                  

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL

A todos os amigos que seguem este blog. Mesmo distantes, vocês fazem parte da história do Psicologia e Arte.
Saúde, Paz e Sabedoria.

                                                

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

SUGESTÃO DE LEITURA

"Memórias, sonhos, reflexões", as memórias de Jung, compiladas por Aniela Jaffé. Minha vida é a história de um inconsciente que se realizou. - assim ele começa a contar sua vida. Vale a pena ler!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

C. G. JUNG

"A crítica filosófica me ajudou a compreender que todo sistema psicológico - incluindo o meu - tem o caráter de uma cofissão subjetiva".

sábado, 18 de dezembro de 2010

COMPLEXO

Após concluir seu curso de Medicina, Jung passou a ocupar um posto
no Hospital Psiquiátrico Burgholzli, em Zurique, cujo diretor era Eugen Bleuler. Bleuler desenvolvia experiências de associação, nas quais Jung logo tomou parte como experimentador. Essas experiências consistiam em uma lista de palavras, denominadas “indutoras”. O sujeito examinado deveria responder a cada uma delas com uma outra palavra, a “palavra induzida”. O tempo de resposta era medido por um cronômetro (“tempo de reação”).

          “O experimentador permanece sempre atento aos vários incidentes que possam ocorrer no curso da experiência. Os tempos de reação variam muito, ora são breves, ora longos. O examinando em vez de responder por uma só palavra responde com uma frase, ou repete a palavra indutora, hesita, ri, reage pela mesma palavra a diferentes palavras, enrubesce, transpira, etc.”
(SILVEIRA, 1974, p. 31)

          Jung se interessou justamente por estas reações, que, segundo sua visão, sugeriam que a palavra indutora atingia um “conteúdo emocional” inconsciente, que seria um “complexo ideo-afetivo”.
          No caso dos sujeitos psicóticos, parecia impossível a utilização de experiências de associação. Jung, porém, passou a utilizar como palavras indutoras os neologismos e as estereotipias dos pacientes, comprovando assim a existência, nos esquizofrênicos, de complexos semelhantes aos dos sujeitos neuróticos e dos sujeitos ditos normais.
          Embora o método de associação não seja mais utilizado pelos analistas junguianos, ainda pode ser um bom modo experimental de demonstrar a existência e a atuação dos complexos, ajudando na compreensão dos mecanismos psíquicos inconscientes.
          Quem primeiro empregou o termo “complexo” foi Jung, sendo que, hoje, o mesmo é amplamente utilizado, dentro e fora dos círculos analíticos. É muito comum afirmar-se que alguém tem um complexo (de inferioridade, de superioridade, etc), mas, na realidade, é o complexo que nos possui, no sentido em que interfere diretamente em nossa vida consciente.

          “Os complexos são agrupamentos de conteúdos psíquicos carregados de afetividade. Compõem-se primariamente de um núcleo possuidor de intensa carga afetiva. Secundariamente estabelecem-se associações com outros elementos afins, cuja coesão em torno do núcleo é mantida pelo afeto comum a seus elementos. Formam-se assim verdadeiras unidades vivas, capazes de existência autônoma. Segundo a força de sua carga energética, o complexo torna-se um ímã para todo fenômeno psíquico que ocorra ao alcance de seu campo de atuação.” (SILVEIRA, 1974, p.35)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

domingo, 12 de dezembro de 2010

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

domingo, 5 de dezembro de 2010

terça-feira, 30 de novembro de 2010

SOFIA

Hoje você faz um ano. Só nós sabemos "quantas guerras tivemos que vencer por um pouco de paz..."
Por isso, hoje, posso dizer: minha filha, meu amor, minha VITÓRIA!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

SUGESTÃO DE LEITURA

"A passagem do meio" de James Hollis, Ed.Paulus.
Não deixem de ler. É daqueles livros capazes de mudar nossa vida.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

PSICOLOGIA E ARTE

  Bispo do Rosário.

Este manto ele fez para encontrar com Deus...

O que dizer diante desta imagem?

domingo, 21 de novembro de 2010

POR QUÊ (NÃO) FAZER TERAPIA? Por Vanessa Coutinho
(Texto publicado originalmente no Jornal Ganesha - 179)

Em seu livro "Terapeutas do deserto", Jean-Yves Leloup nos fala que "não estamos aqui para recolher ovelhas perdidas, porque todos estamos perdidos e todos nós procuramos um caminho.Não estamos aqui para dar respostas, mas para convidá-los a um caminho. Convidá-los a uma transformação, a uma construção".
Inúmeras vezes já ouvi o equivocado e preconceituoso comentário de que alguém, apesar de suas intensas dores existenciais, que transcendem o físico (mas nem por isso deixam de atingi-lo), não buscará psicólogos, analistas, terapeutas e afins, porque não aceitará que outro lhe diga o que fazer. O bom terapeuta, em momento algum se arvora em determinar o que deve fazer e como deve agir o sujeito que se encontra a sua frente.Isso é mito, falta de conhecimento.
O terapeuta ajudará seu cliente a defrontar-se com sua verdade, e esta verdade diz respeito aos aspectos positivos e negativos, aos agradáveis e aos dolorosos. Enfrentar, conhecer, aceitar as partes nossas que rejeitamos,e que compõe o que Jung  chamava de "sombra", será uma importante passo para a descoberta de potenciais a desenvolver, tão bem escondidos no fundo de "armários" que nem sabemos que estão lá.
Quase todos já passaram, em especial os que se aproximam da maturidade, por um momento em que descobrem que pautavam suas vidas, ou parte delas, em valores e conceitos que não eram verdadeiramente seus, e sim aprendidos e apreendidos, herdados de pais, avós, parentes, professores, grupos sociais, enfim, pessoas que, de alguma forma, foram ou são referências afetivas importantes. Vários destes valores são fundamentais, compõe nosso código moral e ético e pontuam nossa vida de maneira coerente. Mas em alguns momentos, podemos descobrir que trilhamos caminhos que não desejávamos e "escolhemos" ou mantivemos relações pessoais e profissionais que não nos agradam, porque, assim, à semelhança da criança que fomos e que se mantém em alguma parte de nossa vida psíquica, seremos abençoados pela aprovação de nossos pares.
Costumo dizer que quando optamos em não falar "não" para os outros, e tomamos atitudes que na verdade não desejamos tomar, continuamos a falar "não", só que para nós mesmos. Que façamos isso vez ou outra, dada a força das circunstâncias, tudo bem. Mas se fizermos desta exceção uma regra, e formos acumulando "nãos" para nós mesmos, mais cedo ou mais tarde nossa saúde cobrará o preço.
Ao final de um processo terapêutico podemos concluir que grande foi a intensidade da mudança, e que o sujeito já não tem a respeito de si mesmo, a mesma imagem que tinha no início. Nada melhor do que a já tão utilizada metáfora da metamorfose: "o que a lagarta chama de morte, o mestre chama de borboleta" (Richard Bach).




     

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

CONSULTÓRIO DE PSICOLOGIA

Profissional especializada em:
Arteterapia
Psicopedagogia
Psicomotricidade
Teoria e prática junguianas

Quinze anos de experiência em:
Atendimentos a crianças, adolescentes, adultos, idosos
Casais e famílias
Gestantes
Orientação vocacional

vanessa_arteterapia@yahoo.com.br

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

C. G. JUNG

                                                       

"A psicoterapia transcende as suas origens médicas e deixou de ser um simples método de tratamento de doentes. Atualmente, trata os que têm saúde, ou os que têm um direito moral à saúde, ou os que têm um direito moral à saúde psíquica e cuja doença é, quando muito, o sofrimento que nos atormenta a todos."

LUÍSA

Hoje você faz cinco anos. Minha companheirinha de vida, minha filha, meu anjo.
Te amo!
Parabéns!

domingo, 14 de novembro de 2010

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER, por Vanessa Coutinho
(Texto publicado originalmente no Jornal Ganesha - 195)

   Muitas vezes romantizada pelo teatro, literatura e artes em geral, especialmente nas obras masculinas, a violência na relação entre homem e mulher acaba por ser encarada como algo que, embora desagradável, pode ser aceitável, e até faz parte do jogo sexual entre os parceiros.
   O que é visto, através de relatos em consultórios e delegacias, nas poucas vezes em que se fazem ouvir, e pela veiculação de notícias pela imprensa é que a violência e a dominação que o homem julga possuir sobre a mulher não raro resultam em homicídio.
   Há alguns anos surgiram as delegacias especializadas no atendimento à mulher, e temos também a Lei Maria da Penha, conquistas que são importantes, mas ainda não "resolveram" o problema, porque ele não é só legal. É também social e psicológico.
   A parceria sexual não é vista como uma relação igualitária. Existe um dominador e um dominado e, entre os direitos do dominador, está o de castigar o dominado pelos motivos que considerar pertinentes. Ou mesmo por motivo algum.
   Neste contexto de violência doméstica, é comum que à própria violência sejam somados o descrédito e a inversão do papel vítima-agressor, o que acaba por alimentar a idéia da legitimidade do ato.
   Este pensamento não está restrito às camadas mais culturalmente carentes, embora pareça que a violência recorrente seja mais rara nas relações em que a mulher é cônscia de seus direitos e economicamente independente.

                                                         

                                                        
   Em alguns casos, parece se misturar à vergonha uma negação de que aquela pessoa, tão próxima, possa ser um agressor. A vítima se defende psiquicamente da forte carga de decepção e confusão, e até da culpa, ora por acreditar que possa ter provocado a situação, ora por perceber-se violentada por alguém que escolheu para seu parceiro.
   O apoio psicoterapêutico é então muito importante. Para algumas mulheres, romper o ciclo vicioso de uma parceria violenta significa romper com diversas coisas, necessitando, inclusive, afastar-se de sua casa, de seus pertences, e se manter em abrigos com endereços sigilosos. E estas mulheres, muitas vezes, contam apenas com o apoio terapêutico para conseguirem levar até o fim a decisão que tomaram.
   Naturalmente, nem todas as mulheres percebem o grau de adoecimento contido em uma relação baseada em agressão e submissão. Mas existem aquelas que desejam romper e buscam ajuda, apesar do medo, da vergonha e da incerteza quanto às consequencias de seus atos. Ao primeiro grupo, resta a tentativa, por parte de grupos que militam pelas causas das minorias, de conscientização. O segundo grupo, o das mulheres que reuniram afetos suficientes para uma tomada de decisão, mesmo encontrando-se confusas e inseguras quanto às suas escolhas e seu futuro, com a auto-estima severamente abalada, sem dúvida se beneficiará de uma vivência psicoterapêutica. Esta vivência será mais uma possibilidade de auxiliar estas mulheres na tarefa de voltar o olhar para si mesmas, e sedimentar a escolha pela mudança do papel que desejam desempenhar nas relações afetivas. E na vida.

PSICOLOGIA E CINEMA

Da safra nacional "Durval Discos".
Leia uma parte da crítica de Marcelo Hessel:

A diferença entre um vinil e um compact-disc? Além de vasta vida útil, de capa e encartes enormes, o velho bolachão possui a vantagem de ser racionalmente dividido em duas partes, coisa que os CDs não têm, a elucidativa separação dos lados A e B. No primeiro ficam os hits potenciais, comerciais, no segundo as canções mais obscuras - alegria dos fãs - dificilmente incluídas em coleções "best-of".
Assim se explica, diante de um cliente, o simpático Durval (Ary França), o cabeludo dono de uma loja de LPs que dá nome a Durval Discos (2002), filme de estréia da diretora e roteirista Anna Muylaert. A sua inventividade aparece logo nos créditos de abertura: com um plano-sequência que vai e vem pela Rua Teodoro Sampaio (um dos redutos musicais de São Paulo), a câmera exibe os nomes do elenco e da equipe técnica impressos em máquinas de pinball, camisas de futebol, cardápios de boteco, lambe-lambes de poste...
... E estaciona em frente a um sobrado, onde a história começa. Ali, o solteirão Durval, personificação do Peter Pan que estacionou nos anos 70, vive com a mãe, Carmita (Etty Fraser), e administra a loja, cujas pérolas da MPB fazem da seleção musical a primeira das qualidades do filme. Mas, apesar da melodia, as coisas não andam bem no sobrado. Quando Carmita já não cozinha mais a sua carne com cenoura e diz que perdeu a receita daquele doce fantástico, Durval decide contratar uma empregada para conservar a saúde da mãe. Surgem então Célia (Letícia Sabatella), a nova empregada, e sua suposta filha, Kiki (Isabela Guasco).
Mas como todo vinil tem duas faces, o filme também surpreende ao mostrar o seu lado B, tão inquieto e instigante quanto qualquer lado B que se preze. Explicar mais seria covardia. Basta dizer que a segunda metade de Durval Discos tem um toque de Psicose (Psycho, de Alfred Hitchcock, 1960), com pitadas de non-sense, humor negro e uma certa brutalidade. A trilha sonora, a cargo de André Abujamra, agora alia Tim Maia e Jorge Ben com um incômodo compasso nervoso. 
A virada pode desagradar a audiência acostumada com comédias-família, mas, vista com sensibilidade, configura mais um ponto a favor da produção (não seria, afinal, graças ao lado A que Durval Discos sairia coroado da concorrida disputa do Festival de Gramado 2002 com sete prêmios). Ao fim da sessão, mesmo com a melancolia das cenas derradeiras, fica a certeza de que o filme não celebra somente os colecionadores de discos, mas todos aqueles que cultivam alguma fantasia numa cidade impessoal e violenta como São Paulo. 

sábado, 13 de novembro de 2010

SUGESTÃO DE LEITURA

"Arteterapia com idosos - ensaios e relatos" de Vanessa Coutinho (eu!), WAK Editora.
Para quem se interessa pelo tema, é uma boa leitura.

                                                 Image

ARTE PARA OS OLHOS - TERAPIA PARA A ALMA



Frida...
O que esta imagem provoca em você?

SUGESTÃO DE LEITURA

Para quem se interessa em estudar sobre o Transtorno do Pânico, José Raimundo Gomes (meu professor no curso de Teoria Junguiana) escreveu "Teia do Medo - elementos para uma teoterapia da Síndrome do Pânico"). Maiores informações: jrgomespsi@uol.com.br

CARL GUSTAV JUNG

                                      


"Entre o médico e o paciente, há fatores imponderáveis que acarretam uma transformação mútua."

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Amigos,tenho sentido muita falta dos comentários de vocês. Acho que o blog ficaria muito mais legal se fosse feito não só por mim para vocês, mas por todos juntos, e a melhor forma disso acontecer é com os comentários!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

SUGESTÃO DE LEITURA

" Arteterapia com crianças" de Vanessa Coutinho (eu!), WAK Editora.

"Mais do que entender as atitudes e pensamentos das crianças, é necessário gostar de conviver com elas. Partindo dessa convicção, a autora Vanessa Coutinho nos transporta ao mundo infantil de maneira fácil e agradável.
Com a experiência em consultório, a autora mostra o universo das crianças, ilustrando suas idéias com casos clínicos. Cada assunto abordado é referendado com exemplos que tornam o entenimento desse livro seu ponto alto.
Um livro ideal para todos que trabalham com crianças e pretendem tornar esse trabalho mais eficiente e eficaz".

terça-feira, 9 de novembro de 2010

C. G. JUNG

"Novos pontos de vista não são geralmente descobertos em territórios já conhecidos, mas em lugares distantes, que costumam até mesmo ser evitados pela má fama que possuem."

                                           

SUGESTÃO DE LEITURA

Mais um para quem deseja mergulhar no universo junguiano: "C. G. Jung - a sacralidade da experiência interior" de Ysé Tardan-Masquelier, Ed. Paulus. Leiam e comentem...


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

ANOREXIA NERVOSA por Vanessa Coutinho




   A busca dos humanos pelo alimento é muito mais do que mera necessidade fisiológica. Ao nascermos, nosso primeiro contato com o mundo é pela boca, e será, de certa forma, um “termômetro” da afetividade. A maneira como uma pessoa se relaciona com a comida revela muito sobre ela mesma, e sua relação com o arquétipo materno.
   A anorexia é um transtorno alimentar que afeta principalmente mulheres, e tem como  característica a restrição da própria alimentação, o que faz com que o anoréxico passe longos períodos em jejum ou coma muito pouco ( uma única maçã durante o dia inteiro, por exemplo). O índice de massa corporal (IMC) inferior a 17,5 é indicativo do transtorno, porém, ainda que excessivamente magras, essas pessoas apresentam uma distorção da imagem, isto é, se percebem como gordas.
   O maior número de casos se encontra em uma faixa etária que varia entre 15 e 22 anos, mas é possível encontrar registros tanto em idades mais avançadas quanto em pré-adolescentes por volta dos 11/12 anos.
   Trata-se de uma doença psíquica que precisa de tratamento, uma vez que suas conseqüências podem ser muito graves: pressão baixa, hipoglicemia, problemas na pele, unhas e cabelos, suspensão da menstruação e, em casos mais severos, até mesmo a morte.
   Mas qual seria a causa desse transtorno? Pode-se dizer que não há uma causa, mas sim um conjunto de fatores: fatores genéticos (pesquisas apontam que pode haver um padrão familiar que predisponha a algum tipo de transtorno alimentar), emocionais (é muito comum que os anoréxicos já tenham sido gordos e tenham sofrido com buylling, apelidos e gozações que contribuíram para a diminuição da auto-estima e a busca desenfreada de se livrar desse “estigma”. Além disso, figuras familiares com dificuldades na troca de afeto, na comunicação e com relações conflituosas podem favorecer ao surgimento e à manutenção dos mais diversos quadros de doenças afetivas) e culturais (em nossa sociedade veicula-se que só os magros são belos e merecedores de amor, sucesso e admiração).
   A anorexia e os demais transtornos alimentares precisam receber acompanhamento médico e psicológico para que o indivíduo recupere sua saúde, aprenda a se conhecer melhor, se aceitar, compreender seus afetos e encontrar maneiras mais harmoniosas de se relacionar consigo mesmo e com seus pares, além de poder voltar a se alimentar de maneira equilibrada, sem medo de se olhar no espelho.

domingo, 7 de novembro de 2010

CARL GUSTAV JUNG

"Só a própria pessoa tem o poder da cura".

LIBERTANDO AFETOS (texto publicado originalmente no livro "Arteterapia com idosos - ensaios e relatos", de Vanessa Coutinho - WAK Ed.)

   Benedetto Saraceno, em seu livro “Libertando identidades – da reabilitação psicossocial à cidadania possível” (Ed. Te Corá – 1999), fala da reabilitação psicossocial do usuário de serviços de saúde mental. Seu texto é inteligente e preciso, e me fez refletir sobre a situação dos sujeitos idosos.
   Um ponto importante trazido pelo autor é que não há “des-habilidades” ou “habilidades” em si mesmas. Alguém que, em determinado contexto seja considerado portador de uma “falta”, não necessariamente o seria em outro. 
   Algumas das perdas que caracterizam o envelhecimento (motoras, sensoriais, etc), por vezes acabam sendo super-valorizadas no ambiente sócio-cultural ou familiar em que a pessoa vive, o que se reflete em problemas afetivos, relacionais e até mesmo físicos. As perdas são reais, mas, se há a busca por outro ponto de vista, será possível encontrar aspectos que se mantém ou até mesmo se acentuam. O que precisa ser mantido e valorizado é a troca de recursos e afeto. O espaço das relações não pode ser estreitado.
   É preciso, para que haja verdadeiramente um espaço de relação, que todos os participantes da trama sejam reconhecidos como capazes de oferecer algo ao grupo, e não somente receber. O sujeito que é considerado incapaz de contribuir de forma relevante com o grupo se enfraquece, é marginalizado, fica à parte. Se, para esta análise, é considerado apenas o aspecto material, caracteriza-se um profundo enraizamento na visão econômica. Porém, existe o valor afetivo, que não pode ser desprezado.    
   Saraceno faz refletir sobre as duas vias que podem ser seguidas no trabalho de reabilitação (recordo que ele nos fala dos pacientes psiquiátricos, e eu trago a releitura no que tange aos sujeito de terceira idade): reabilitar pode ser melhorar os atributos danificados para que o sujeito esteja no nível dos demais, isto é, fazer com que os fracos deixem de ser fracos para se equiparar aos fortes. A segunda via sugere que se mudem as “regras do jogo” de maneira que “fortes” e “fracos” sejam acolhidos em permanentes trocas de competências diversas (inclusive afeto).
   E sobre que eixos se poderia trabalhar? O autor fala, inicialmente, da questão do morar, estabelecendo uma distinção entre “estar” e “habitar”. “Estar” traz a idéia da mínima possibilidade de se apropriar verdadeiramente do espaço, com um falta de poder de decisão e autonomia. “Habitar” exprime uma propriedade maior do espaço e o portar uma “voz” que se impõe na organização material e simbólica do ambiente. Lembro da fala de uma interna de instituição para idosos que relatava não gostar mais de assistir televisão, já que havia apenas um aparelho, sempre sintonizado na mesma emissora. Quando eram exibidos programas de culinária, ela vivenciava a intensa frustração de saber que jamais poderia cozinhar ou mesmo provar as receitas que eram ensinadas. Ali, percebi o esvaziamento subjetivo que uma instituição asilar pode provocar, e o quanto manter um padrão de saúde não é tarefa fácil. Neste contexto, considero bastante útil a vivência criativa proporcionada pela arteterapia, que favorece a emergência de imagens carregadas de subjetividade, imagens com “assinatura”, que afirmam a existência de cada autor.



   Porém, não se pode acreditar, ingenuamente, que somente os idosos asilados experimentam o aprisionamento simbólico (e/ou real). Este aprisionamento pode se dar também no empobrecimento das trocas com os familiares, gerando um isolamento cada vez maior.
   O segundo eixo estaria na “troca”, pois também vai se desabilitando aquele que perde, quantitativa ou qualitativamente, seu papel ativo na rede social (na qual se inclui, naturalmente, a família). Já presenciei enfermeiras de um abrigo ligarem para famílias de internos, solicitando que trouxessem sabonetes, pasta de dente, desodorante. Era uma forma, sugerida pela assistente social, de, sutilmente, tentar provocar uma ocasião para a visita, que há muito não acontecia. Os parentes vieram, tocaram a campainha e, ao serem atendidos, passaram a “encomenda” pelas grades. Nesse dia, foi preciso criar um “momento terapêutico” para acolher a equipe de enfermagem, que necessitava de uma escuta para sua própria frustração.
   Assim sendo, muitas vezes se impõe uma atuação do terapeuta com a família e cuidadores, atuação por vezes pedagógica, visando explicar os pormenores do momento vivido pelo idoso.
   O terceiro e último eixo fala de produção e troca de mercadorias e valores. O dinheiro é um valor. O afeto é um valor. O saber é um valor. Normalmente, o idoso não desenvolve mais uma atividade laborativa (embora, cada vez mais, haja exceções). É preciso refletir sobre o sentido do trabalho: sustento ou auto-realização? Ou ambos? Em nossa sociedade norteada pelo dinheiro, acaba-se por valorizar apenas o trabalho que remunera. Essa atividade garante um lugar social. Porém, aqueles que se encontram no momento da aposentadoria podem se permitir um outro tipo de “produção”, já desobrigada da intenção de “lucro”. Sem dúvida, criar, produzir arte, pode ser um maravilhoso caminho de auto-realização e auto-valorização. Não a produção em série, que aliena, mas a produção de imagens únicas, livres, ricas.   
   Neste pequeno ensaio busquei, mais do que oferecer soluções, semear propostas de reflexão sobre a situação da “reabilitação” social e psicológica do idoso, e o quanto a arteterapia pode ser uma ferramenta preciosa, rumo a uma vivência plena e saudável, e ao “reencantamento” de vidas e relações.